Pesquisa com 24,5 mil trabalhadores aponta remuneração acima de R$ 15 mil para 30% dos entrevistados e revela baixa participação feminina nas atividades embarcadas
A força econômica da indústria do petróleo aparece nos salários, no sustento das famílias e na presença dos trabalhadores em municípios como Macaé, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras. Um levantamento com 24.532 profissionais das Bacias de Santos, de Campos e do Espírito Santo mostra que 30% dos entrevistados recebem mais de R$ 15 mil mensais. Para 89,5%, a renda obtida com o trabalho representa a principal fonte de sustento familiar.
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Os dados fazem parte do segundo boletim anual do Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST). Segundo o programa, a pesquisa reúne profissionais vinculados a dez operadoras de petróleo e gás e abrange cerca de 38% da força de trabalho da indústria. As informações foram coletadas em 2024 e consolidadas em 2025.
O levantamento evidencia a concentração desses profissionais no território fluminense. A cidade do Rio de Janeiro reúne 17,4% dos trabalhadores pesquisados, seguida por Macaé, com 11%; Campos dos Goytacazes, com 7,15%; e Rio das Ostras, com 4,96%. Juntos, os três municípios do Norte Fluminense e da Costa do Sol representam 23,11% dos participantes.
Essa presença ajuda a dimensionar a relevância do setor para o planejamento regional. Além dos empregos diretamente associados à atividade, a distribuição dos trabalhadores oferece subsídios para decisões sobre mobilidade, habitação, qualificação profissional e serviços públicos.
Participação feminina ainda é reduzida no trabalho embarcado
As mulheres representam 16,7% dos participantes da pesquisa, mas ocupam apenas 6% dos postos embarcados. Entre os profissionais que trabalham em terra, a participação feminina chega a 32%. No regime remoto, alcança 46%.
Outro destaque é o predomínio da terceirização, que corresponde a 63,9% dos vínculos informados. Os empregados próprios das operadoras representam 35,3%, enquanto os autônomos somam 0,8%.
De acordo com Eliza Barbosa, coordenadora do PMCST, a pesquisa permite identificar os municípios mais demandados para embarque, trabalho e moradia, além de compreender onde essa mão de obra é formada. A proposta amplia as informações dos estudos ambientais, que apresentam estimativas de empregos, mas nem sempre detalham o perfil dos profissionais e suas relações com os territórios.
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Serviços públicos também integram essa dinâmica
Embora 98,5% dos entrevistados tenham plano de saúde privado, 44,1% relatam utilizar a rede pública. O resultado reforça a necessidade de considerar essa população no planejamento dos serviços dos municípios ligados à atividade petrolífera.
O PMCST acompanha o perfil socioeconômico, as condições de trabalho e os deslocamentos dos profissionais vinculados à cadeia de produção e escoamento de petróleo e gás natural. Seus resultados oferecem subsídios para políticas públicas e estratégias de desenvolvimento nas regiões produtoras.
Fonte: segundo boletim anual do PMCST, conforme informações do release.
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