A diversificação econômica é um dos principais desafios dos municípios que construíram grande parte de seu desenvolvimento a partir da indústria de petróleo e gás. Em Rio das Ostras, na Região da Costa do Sol, iniciativas de fortalecimento da produção rural começam a ganhar destaque como instrumentos de estímulo à economia local, geração de renda e valorização de novas atividades produtivas.
PUBLICIDADE

Nesse contexto, a Prefeitura de Rio das Ostras, por meio da Secretaria de Pesca e Agropecuária, iniciou o plantio de milho e feijão na localidade de Cantagalo, na zona rural do município.
Embora seja uma iniciativa de dimensão inicialmente limitada, o projeto representa uma oportunidade de ampliar o aproveitamento das terras produtivas, incentivar a agricultura familiar e estabelecer novas perspectivas para a economia municipal.
A proposta também chama atenção para uma questão estratégica: Rio das Ostras precisa fortalecer outras vocações econômicas para reduzir sua exposição às oscilações do setor de petróleo e gás, que exerce influência significativa sobre a atividade econômica e a arrecadação municipal.
O crescimento de Rio das Ostras nas últimas décadas esteve fortemente associado à expansão da indústria petrolífera na Bacia de Campos, especialmente pela proximidade com Macaé, um dos principais centros operacionais do setor no país.
A instalação de empresas prestadoras de serviços, o crescimento populacional, a expansão imobiliária e o desenvolvimento do comércio foram impulsionados, em parte, pela dinâmica dessa indústria.
Entretanto, a concentração econômica em um setor estratégico também produz vulnerabilidades.
Oscilações no preço internacional do petróleo, mudanças nos investimentos das operadoras, transformações tecnológicas e alterações na distribuição de receitas petrolíferas podem repercutir sobre o emprego, o comércio, a prestação de serviços e as finanças públicas.
Por isso, especialistas em desenvolvimento regional defendem que municípios com forte presença da indústria de óleo e gás construam políticas permanentes de diversificação produtiva.
Em Rio das Ostras, esse processo pode envolver não apenas o fortalecimento da agricultura, mas também investimentos em turismo, economia criativa, pesca, tecnologia, educação profissional, comércio e pequenos empreendimentos.
A agricultura, nesse cenário, não surge como substituta da indústria petrolífera, mas como uma atividade complementar capaz de ampliar oportunidades econômicas e fortalecer a segurança alimentar.
A iniciativa desenvolvida pela Secretaria de Pesca e Agropecuária contempla o plantio de milho e feijão em propriedades rurais da localidade de Cantagalo.
Segundo Ivan Noé, superintendente de Gestão Ambiental que responde interinamente pela Secretaria, o cultivo do milho está sendo realizado dentro do período considerado adequado para o desenvolvimento da cultura.
A Prefeitura oferece assistência técnica e apoio com máquinas agrícolas, contribuindo para facilitar o trabalho dos produtores e estimular a utilização produtiva das propriedades rurais.
“O objetivo é estimular a produção, contribuir para a melhoria da renda dos produtores e, ao mesmo tempo, desenvolver outras ações que possam fortalecer a agricultura no Município”, explicou Ivan Noé.
A iniciativa também contempla uma estratégia de multiplicação de sementes, que poderá beneficiar outros agricultores nos próximos ciclos produtivos.
No cultivo do feijão, estão sendo utilizadas sementes fornecidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), de Campos dos Goytacazes.
As variedades selecionadas são a UENF 2014, de grão preto, e a Pingo de Ouro, de grão vermelho.
O plantio acontece em áreas disponibilizadas por produtores rurais, criando condições para o desenvolvimento de uma produção que poderá ter continuidade e alcançar outras propriedades.
A estratégia prevê que parte das sementes produzidas seja posteriormente disponibilizada pela Secretaria para novos plantios no próximo ano.
Esse modelo pode contribuir para reduzir custos de implantação das lavouras, estimular a participação de outros agricultores e ampliar gradualmente a produção local.
“O cultivo de milho e feijão contribui para a diversificação da produção e representa mais uma ação voltada ao fortalecimento da agricultura em Rio das Ostras. Estamos valorizando o potencial produtivo da área rural e estimulando o aproveitamento das terras para o cultivo de alimentos”, destacou Ivan Noé.
O fortalecimento da agricultura pode produzir efeitos que ultrapassam os limites das propriedades rurais.
Com planejamento, assistência técnica e canais adequados de comercialização, o aumento da produção de alimentos pode movimentar diferentes segmentos da economia municipal.
Restaurantes, supermercados, hortifrutis, feiras livres, hotéis e estabelecimentos de alimentação representam mercados potenciais para produtos cultivados na própria região.
A proximidade entre produtores e consumidores também pode reduzir despesas logísticas, favorecer a oferta de alimentos frescos e criar oportunidades para pequenos negócios.
Outro caminho é a integração da produção rural com a alimentação escolar e outros programas públicos de aquisição de alimentos, desde que observadas as exigências legais, sanitárias e de fornecimento.
Para alcançar esses resultados, entretanto, o município precisará avançar em políticas de organização dos produtores, capacitação, infraestrutura rural, acesso ao crédito e comercialização.
O cultivo de milho e feijão pode representar o início de uma estratégia mais abrangente, mas sua consolidação dependerá da continuidade das ações e da capacidade de transformar a produção em atividade economicamente sustentável.
Rio das Ostras reúne características que favorecem a construção de uma economia mais diversificada.
Além da presença da cadeia produtiva de petróleo e gás, o município possui potencial turístico, atividades comerciais, setor de serviços e áreas rurais que podem receber novos investimentos.
A integração entre agricultura e turismo, por exemplo, pode abrir oportunidades para a comercialização de produtos regionais, gastronomia de origem, experiências rurais e pequenos empreendimentos familiares.
O desenvolvimento de agroindústrias de pequeno porte, respeitadas as exigências sanitárias e ambientais, também pode agregar valor à produção agrícola.
Em vez de comercializar exclusivamente matérias-primas, produtores poderiam desenvolver alimentos processados e outros produtos com identidade regional.
Essa estratégia permitiria ampliar a circulação de renda no próprio município e estimular o empreendedorismo em comunidades que tradicionalmente recebem menor atenção dos grandes investimentos industriais.
A experiência de municípios dependentes de receitas e investimentos petrolíferos demonstra a importância de construir alternativas econômicas antes que eventuais crises imponham ajustes mais severos.
O petróleo e o gás continuarão exercendo papel relevante no desenvolvimento de Rio das Ostras e de toda a região. Entretanto, a consolidação de uma economia mais equilibrada exige que parte das oportunidades geradas por essa atividade contribua para fortalecer outros setores produtivos.
Isso significa investir em qualificação profissional, infraestrutura, inovação, turismo, agricultura, empreendedorismo e atração de novos negócios.
O projeto de plantio de milho e feijão em Cantagalo pode ser interpretado como um passo nessa direção.
Se acompanhado por políticas públicas permanentes, metas de produção e mecanismos de acesso ao mercado, poderá contribuir para transformar o potencial agrícola local em novas oportunidades de trabalho e renda.
Mais do que plantar milho e feijão, o desafio de Rio das Ostras é cultivar uma economia capaz de crescer também fora da cadeia do petróleo.
E essa é uma discussão que precisa fazer parte do planejamento econômico de todos os municípios da Costa do Sol.


Mín. 21° Máx. 28°
Mín. 22° Máx. 25°
ChuvaMín. 19° Máx. 22°
Chuvas esparsas



