A tradição do Boi Pintadinho, uma das mais expressivas manifestações da cultura popular de Macaé, ganha um novo capítulo a partir do próximo dia 31 de outubro. Com atividades que se estendem até janeiro de 2027, o projeto Circuito Cultural do Boi Pintadinho pretende levar às novas gerações os ritmos, as cores e os conhecimentos que atravessam décadas nas comunidades do município.
Publicidade
A iniciativa é da Associação Recreativa do Boi Suave Veneno, fundada em 2000 e profundamente ligada à história da Nova Holanda. Mais do que preservar uma manifestação folclórica, o projeto busca transformar a tradição em instrumento de integração comunitária, educação cultural e valorização da identidade local.
As atividades incluem oficinas gratuitas de confecção de bois, percussão e formação de carregadores — participantes responsáveis por dar vida e movimento aos personagens que encantam crianças e adultos durante os cortejos.
Em Macaé, o Boi Pintadinho representa muito mais do que uma apresentação festiva. Cada agremiação carrega histórias de famílias, amizades, pertencimento e relações comunitárias construídas ao longo de gerações.
Continua depois da publicidade

Nas ruas, o som da bateria anuncia a chegada do boi, movimenta a vizinhança e transforma os bairros em espaços de convivência e celebração.
É justamente essa capacidade de mobilização que o Circuito Cultural pretende fortalecer, reunindo diferentes grupos da cidade em atividades que estimulem a troca de experiências entre os brincantes mais antigos e os jovens interessados em conhecer a tradição.
O projeto também representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da cultura produzida nas comunidades populares, muitas vezes distante dos grandes equipamentos e circuitos culturais.
Um dos principais diferenciais da iniciativa é sua presença no ambiente escolar.
Estão previstas apresentações em seis escolas públicas, além do SESI e da Casa do Idoso. Os encontros permitirão que estudantes tenham contato direto com os instrumentos, os personagens e os processos de criação do Boi Pintadinho.
As escolas públicas participantes também receberão pequenos bois produzidos durante as oficinas, permitindo que a experiência cultural continue nas atividades pedagógicas.
Publicidade
A presença na Casa do Idoso acrescenta outra dimensão ao projeto: o encontro entre gerações. Moradores que acompanharam a tradição durante décadas poderão compartilhar lembranças e experiências com crianças e adolescentes.
A importância dessa manifestação para a vida comunitária foi destacada na dissertação Parem o trânsito que o boi vai passar, apresentada em 2020 pelo professor Wilson dos Santos Souza à Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). O trabalho identifica o Suave Veneno como referência cultural e símbolo de pertencimento da Nova Holanda.
Em uma época marcada pelo avanço das tecnologias digitais e pelas mudanças nos hábitos de convivência, iniciativas como o Circuito Cultural oferecem alternativas de socialização, aprendizado coletivo e valorização da memória.
Além da dimensão cultural, projetos comunitários dessa natureza podem contribuir para a formação de novos talentos, estimular atividades criativas e fortalecer o potencial da cultura como elemento de desenvolvimento social e econômico.
A produção de instrumentos, figurinos, estruturas e elementos decorativos também evidencia conhecimentos artesanais que merecem reconhecimento e continuidade.
Para o presidente da Associação Recreativa do Boi Suave Veneno, Talles da Silva Lima, a participação das novas gerações é fundamental.
“O boi faz parte da nossa vida e da história da nossa comunidade. Queremos que as crianças aprendam a fazer, tocar e brincar, porque são elas que vão levar essa tradição adiante.”
Publicidade
O projeto foi contemplado pelo Edital nº 02/2026 da Rede Municipal de Pontos de Cultura de Macaé, com recursos federais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por intermédio do Ministério da Cultura, e execução municipal por meio da Secretaria de Cultura.
Para Macaé, preservar o Boi Pintadinho significa reconhecer que o patrimônio cultural de uma cidade também é construído por seus moradores, nas ruas e nas comunidades. Ao aproximar crianças, jovens e idosos, o circuito contribui para que essa expressão popular permaneça viva e continue fazendo parte da identidade macaense.


Mín. 21° Máx. 28°
Mín. 22° Máx. 25°
ChuvaMín. 19° Máx. 22°
Chuvas esparsas



